Carros elétricos até R$ 200 mil: 18 modelos, 27 versões, 24 comparativosPreços verificados até 19/09/2026
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Autonomia Inmetro e autonomia real: por que os números são diferentes

A etiqueta do Inmetro dá 413 km para o Geely EX5 Pro e 181 km para o JAC E-JS1; o fabricante costuma anunciar bem mais. Os dois lados têm razão, e este guia explica por quê.

Publicado em 19/09/2026. Os números vêm da base do site e mudam quando ela muda.

O que o Inmetro mede

O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) é o programa do Inmetro que mede consumo e emissões dos carros vendidos no Brasil e publica o resultado na etiqueta do vidro e numa tabela pública. Para os elétricos, o procedimento segue a norma SAE J1634 (o mesmo método usado pela agência ambiental dos Estados Unidos), consolidado pela Portaria Inmetro nº 169/2023. O carro roda em dinamômetro dois ciclos: o urbano FTP-75, com cerca de 31 minutos de anda e para, e o rodoviário HWFET, com 13 minutos a velocidades mais altas e constantes, média perto de 78 km/h.

O resultado combinado pondera 55% do urbano e 45% do rodoviário. Depois, sobre a autonomia bruta do laboratório, o Inmetro aplica um fator de correção de 0,7: corta 30% do número para aproximar a etiqueta do uso real, com ar-condicionado, clima e trânsito. É por isso que a autonomia Inmetro é sempre a mais conservadora das que aparecem em anúncio.

Por que WLTP, NEDC e CLTC dão mais

O WLTP europeu, o NEDC (mais antigo) e o CLTC chinês são ciclos com acelerações mais suaves, velocidades médias mais baixas e sem o fator de correção. O mesmo carro pode mostrar 30% a 50% a mais neles do que na etiqueta brasileira. Um exemplo público: o BYD Yuan Plus saía de 458 km no ciclo chinês para 294 km no PBEV. Não é erro de nenhum dos dois; são perguntas diferentes feitas ao mesmo carro. O problema é comparar um modelo anunciado em WLTP com outro anunciado em Inmetro, e por isso este site só usa o Inmetro: quando a marca não divulga o número, o modelo fica de fora da base.

A autonomia Inmetro de cada modelo da base

Versão de maior alcance de cada modelo. O consumo é uma estimativa: bateria dividida pela autonomia Inmetro.

Autonomia da tabela PBEV do Inmetro (edição 2026). Preço de tabela da versão dividido pela autonomia.
Modelo (versão de maior alcance)Autonomia InmetroBateriaConsumo estimadoR$ por km de autonomia
Geely EX5 Pro413 km60,2 kWh14,6 kWh/100 kmR$ 474
MG MG4 Comfort 64 kWh364 km64,0 kWh17,6 kWh/100 kmR$ 465
MG MG4 Urban Luxury 54 kWh358 km53,9 kWh15,1 kWh/100 kmR$ 432
BYD Dolphin Plus 350 km60,5 kWh17,3 kWh/100 kmR$ 514
GWM Ora 5 349 km58,3 kWh16,7 kWh/100 kmR$ 469
GAC Aion Y Premium318 km63,2 kWh19,9 kWh/100 kmR$ 553
GWM Ora 03 BEV58315 km58,0 kWh18,4 kWh/100 kmR$ 536
GAC Aion UT Elite310 km60,0 kWh19,4 kWh/100 kmR$ 516
Chevrolet Captiva EV Premier304 km60,0 kWh19,7 kWh/100 kmR$ 657
BYD Yuan Pro GL293 km45,1 kWh15,4 kWh/100 kmR$ 597
BYD Dolphin GS291 km44,9 kWh15,4 kWh/100 kmR$ 515
Geely EX2 Pro289 km39,4 kWh13,6 kWh/100 kmR$ 428
Leapmotor B10 Comfort288 km56,2 kWh19,5 kWh/100 kmR$ 635
BYD Dolphin Mini GS280 km38,9 kWh13,9 kWh/100 kmR$ 428
Neta Aya Comfort / Luxury263 km40,7 kWh15,5 kWh/100 kmR$ 474
Chevrolet Spark EUV Activ258 km42,0 kWh16,3 kWh/100 kmR$ 561
Neta X 400258 km52,5 kWh20,3 kWh/100 kmR$ 755
JAC E-JS1 181 km31,4 kWh17,3 kWh/100 kmR$ 662

Dois modelos com a mesma bateria podem ter alcances bem diferentes, e é aí que a eficiência aparece: o mais eficiente da base é o Geely EX2 Pro, com 13,6 kWh a cada 100 km. Peso, aerodinâmica, tamanho da roda e calibração do motor pesam tanto quanto a bateria. A lista de maior autonomia ordena a base por esse número e é atualizada quando a base muda.

O que muda na rua

  • Velocidade: o arrasto aerodinâmico cresce com o quadrado da velocidade. A 110 km/h constantes, o consumo costuma ficar bem acima do ciclo rodoviário do Inmetro, que tem média de 78 km/h.
  • Ar-condicionado e aquecimento: em elétrico não há calor sobrando do motor; o climatizador tira energia da bateria de tração. Calor forte e frio intenso reduzem o alcance.
  • Cidade: paradas frequentes favorecem a regeneração; muitos motoristas passam da autonomia Inmetro no uso urbano.
  • Relevo e carga: subida longa e carro cheio consomem mais; a descida devolve parte pela regeneração.
  • Pneus e rodas: pressão baixa e roda grande custam quilômetros; a ficha de cada modelo diz o aro de série.

Como usar o número na compra

Pense no seu dia mais longo, não na média: quem faz 40 km por dia e viaja duas vezes por ano precisa de alcance para a viagem, não para o dia a dia, e o que decide a viagem é a recarga rápida no caminho, explicada no guia de recarga DC. Quem depende de eletroposto público, sem tomada em casa, precisa de folga maior. E quem quer comparar dois modelos específicos tem o comparativo A vs B, em que a autonomia Inmetro é um dos oito critérios do placar.

Perguntas frequentes

O que é a autonomia Inmetro?

É o alcance medido em laboratório pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), com dois ciclos de condução (urbano FTP-75 e rodoviário HWFET), ponderados em 55% cidade e 45% estrada, e um fator de correção de 0,7 aplicado ao resultado bruto. É o único número de autonomia comparável entre marcas no Brasil.

Por que a autonomia do fabricante é maior?

Porque em geral ela vem do WLTP (Europa), do NEDC ou do CLTC (China), ciclos mais otimistas e sem o fator de correção. O mesmo carro pode mostrar 30% a 50% a mais nesses ciclos do que na etiqueta do Inmetro.

A autonomia Inmetro é a que vou ter na rua?

É uma referência conservadora, não uma garantia. Em cidade, com regeneração e velocidade baixa, muitos motoristas passam dela; em rodovia a 110 km/h com ar-condicionado, ficam abaixo. Velocidade, clima, relevo, carga e pneus mudam o número.

Qual carro elétrico até R$ 200 mil tem a maior autonomia Inmetro?

O Geely EX5 Pro, com 413 km. A média das melhores versões dos 18 modelos da base é 304 km; o menor alcance é o do JAC E-JS1, 181 km.

Como sei se um número é Inmetro?

Na etiqueta de eficiência energética colada no vidro do carro novo e na tabela PBEV publicada pelo Inmetro. Neste site, toda autonomia é a do Inmetro; quando a marca só divulga outro ciclo, o modelo não entra na base.